Resumos

Avaliação Diagnóstica

A corretã identificação da Dislexia e dos fatores que estão na sua origem passa por uma avaliação estruturada que, segundo Torres e Fernandéz (2001), deve envolver as áreas neuropsicológica e linguística, já que a sua utilização conjunta permite avaliar tanto o comportamento (os défices na leitura) como os problemas associados a este.

A avaliação neuropsicológica permite conhecer a natureza do fracasso na leitura, recolhendo informação acerca das capacidades da criança que permita despistar uma possível origem comportamental ou disfunção neurológica. As principais áreas de exploração desta avaliação, segundo as autoras, são a perceção, a motricidade, o funcionamento cognitivo, a psicomotricidade, o funcionamento psicolinguístico, a linguagem e o desenvolvimento emocional.

A avaliação psicolinguística incide sobre os processos implicados na leitura, avaliando tarefas de vocalização, tarefas de decisão lexical, tarefas de decisão semântica e tarefas de processamento visual.

Além desta avaliação, a recolha prévia de informação de carácter desenvolvimental, educativo, médico e social permite um melhor enquadramento da situação de cada criança.

No quadro que se segue, fazemos um resumo das áreas de avaliação defendida pelas autoras, bem como do contributo de cada uma na identificação da Dislexia.

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  • A Percepção Visual e Auditiva;
  • A Motricidade;
  • O Funcionamento cognitivo;
  • A Psicomotricidade;
  • O Funcionamento psicolinguístico;
  • A Linguagem;
  • O Desenvolvimento emocional;
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  • Tarefas de vocalização;
  • Tarefas de decisão lexical;
  • Tarefas de decisão semântica;
  • Tarefas de processamento visual;

É pertinente uma análise mais pormenorizada a duas das componentes da avaliação neuropsicológica: a Motricidade e a Psicomotricidade.

A avaliação da Motricidade incide sobre aspetos de desenvolvimento motor e justifica-se, segundo as autoras, quando a criança manifesta dificuldade em copiar certas formas, apesar de não apresentar problemas de carácter percetivo. Nesta avaliação inclui-se o funcionamento cerebral e a dominância lateral.

Relativamente ao funcionamento cerebral, procuram-se, entre outros, indícios de disfunção neurológica através da observação de aspetos como:

  • Dificuldade em apoiar-se num só pé;
  • Problemas de equilíbrio ao caminhar;
  • Desarmonia e descoordenação nos movimentos voluntários de grande amplitude;
  • Movimento passivo nos braços e nas pernas;
  • Debilidade muscular ou hipotonia.
  • O segundo aspeto da avaliação da Motricidade, diz respeito à dominância lateral, a qual permite determinar preferências mistas ou mal definidas em tarefas de lateralidade. Este tipo de dificuldades aparece, segundo as autoras, com alguma probabilidade em crianças com dificuldades de leitura e de escrita, apesar de não se correlacionar com o rendimento noutras áreas escolares nem com o desenvolvimento intelectual.

A avaliação da Psicomotricidade reveste-se de grande importância, na medida em que os problemas ou défices na eficácia psicomotora dificultam a aprendizagem escolar. Neste domínio, as autoras consideram especialmente importante a informação respeitante ao esquema corporal e à orientação espácio-temporal, na medida em que a aprendizagem da leitura e da escrita assentam sobre uma adequada estruturação do primeiro, o qual, por sua vez, se relaciona com estreitamente com a segunda (ainda que nem todas as crianças disléxicas apresentam dificuldades motoras).

Para a compreensão destes possíveis défices é necessário saber se o sujeito manifesta dificuldades espácio-temporais e de orientação na sua análise do mundo exterior, em atividades como por exemplo, um jogo.

O ensino pré-escolar é, sem qualquer dúvida, crucial na prevenção do surgimento deste tipo de problemas, pois como referimos anteriormente, muitos dos sinais indicadores do desenvolvimento de uma Dislexia, ou do estado de prontidão para a leitura, surgem durante o período das aquisições pré-escolares. Muitos desses indicadores podem ser trabalhados, nomeadamente os aspetos psicomotores que estão nesta fase, em período ótimo do seu desenvolvimento.