A convite da Fundação Rui Cunha foi realizada uma conferência sobre “Dificuldade de Aprendizagem Específicas -Dislexia”, em representação da Dislex, no passado dia 17/04/2019.
Em Macau, tanto nos portugueses como nos chineses, tal como em Portugal existem alunos com Dificuldades de Aprendizagem Específicas/Dislexia, pelo que a atualização, reflexão e aprofundamento de conhecimentos nesta área é uma necessidade.
A conferência foi amplamente divulgada nos meios de comunicação social locais. Dei uma entrevista ao jornal “ponto final” e participei no programa da manhã da rádio TDM, no dia 17/04/2019, onde tive a oportunidade de falar sobre algumas das dificuldades que podem revelar os alunos disléxicos em determinada altura do seu percurso académico.
A Conferência encontra-se disponível no site da Fundação Rui Cunha, Macau.
Ser diagnosticado com dislexia pode parecer o fim do mundo, mas isso está longe da verdade. Durante este mês encorajamo-lo a partilhar a sua experiência connosco e a testemunhar em primeira mão como a dislexia faz simplesmente parte de quem é. Use as hashtags #SouDisléxicoEAgora e #DiaMundialDaDisléxia2019 e espreite a nossa página de Facebook e o nosso Instagram!

Algumas crianças, apesar de revelarem boas capacidades intelectuais, sentem dificuldades nas aquisições escolares iniciais, baseadas maioritariamente em símbolos.
Em geral, essas crianças possuem algumas áreas imaturas e de baixa eficiência as quais, por serem pré-competências em relação ao ato de ler e escrever, se não revelarem um adequado desenvolvimento, provocam alterações na aquisição e desenvolvimento da leitura, escrita e por vezes matemática. São áreas instrumentais, básicas e essenciais e constituem pré-requisito de aprendizagens simbólicas.
Essas áreas são: i) a linguagem - compreensiva e expressiva; ii) a psicomotricidade, que inclui a interiorização do esquema corporal, a lateralidade (reconhecimento de direita-esquerda no seu corpo e no espaço envolvente), a orientação espacio-temporal (conseguir situar-se no espaço, na folha e num mapa ou compreender uma tabela de dupla entrada, ou aprender as horas, os dias da semana, os meses do ano ou relacionar acontecimentos ordenando-os no tempo); competências percetivas auditivas e visuais (consciência fonológica – da palavra, silábica, intra silábica, segmental; atender a pormenores visuais e perceber as orientações visuo-espaciais dos grafemas; a destreza e controle motor fino (o desenho das letras exige traçados grafo motores com adequado controle e destreza motora fina e seguem uma determinada direção); dificuldades de atenção e de memória (imediata ou de longo prazo, para reter e recordar sequências ouvidas e ou visualizadas).
Estas competências constituem como que “alicerces” em relação à aquisição da Leitura Compreensiva–Escrita–Matemática. A leitura só é possível quando, a partir de uma maturidade indispensável, são conseguidos a integração e o reconhecimento de diferenciações. Como este processo implica captar e interpretar símbolos verbais impressos, ela é uma das formas mais abstratas de estudo. O processo de linguagem implica i) receção, ou seja, a capacidade de ouvir e ler compreensivamente; ii) integração da informação recebida; iii) expressão, isto é, falar ou escrever.
Estas três vertentes encontram-se interligadas e são indissociáveis. Quando um dos aspetos referidos não se encontra bem desenvolvido, isso vai manifestar-se em dificuldades reais no processo de aprendizagem. Atrasos significativos em alguma ou algumas das áreas instrumentais, acarretam fraca realização generalizada, uma vez que, por sua vez, ler-compreender-escrever-raciocinar-escutar-reter são competências transversais a qualquer disciplina escolar.
Há crianças que, por razões múltiplas, não desenvolvem adequadamente tais competências e revelam dificuldades de aprendizagem que se refletem especificamente na eficiência em leitura e escrita.
A maioria das crianças com dificuldades de aprendizagem fica sem apoios especializados, porque se entende que aos docentes do ensino geral cabe fazer a diferenciação pedagógica e oferecer os apoios específicos necessários.
Estes professores não terão formação neste campo, não saberão o que/como fazer, e o melhor tempo para intervir vai-se esgotando. Tais crianças apresentarão áreas fracas ou emergentes, a par de áreas fortes. Os educadores e os professores dos anos iniciais de escolaridade necessitam de perceber os indicadores de possíveis dificuldades em leitura (dislexia ou outras) e treinar intensivamente as áreas com desenvolvimento inadequado. Implicam super-treino para se alcançar uma super-aprendizagem quer em domínios de pré-competência (capacidades básicas anteriores e imprescindíveis à simbolização) quer para colocar em níveis adequados as aptidões de leitura e escrita.
Todas as escolas, preventivamente, têm de cuidar da eficiência dos alunos em:
Todas as escolas, têm de identificar cedo e intervir de forma diferenciada, sempre que surgem casos com problemas aparentemente inexplicáveis de:
Atendendo precoce e competentemente a estas dificuldades, assistiremos à clara diminuição generalizada do insucesso e abandono escolar.
Prof.ª Doutora HELENA SERRA FERNANDES
Presidente da Direção da DISLEX- Associação Portuguesa de Dislexia
Outubro de 2019
O presente Referencial é lançado pelo Pólo da DISLEX nos Açores. Foi elaborado a pensar na inclusão de todos os alunos, com maior enfoque nos portadores de perturbações da aprendizagem específicas (PAE), tem como propósito elencar algumas praxis inclusivas em contexto escolar, bem como apoiar os docentes em contexto sala de aula e as famílias.

Na conceção deste documento emergem os seguintes objetivos: definir o que são as perturbações da aprendizagem específicas; identificar quais os sinais de alerta nos diferentes ciclos; valorizar o Desenho Universal para a Aprendizagem e as suas potencialidades no ensino, reforçar a importância da multidisciplinaridade na avaliação compreensiva e colocar à disposição de todos os interessados um conjunto de materiais com sugestões inclusivas a par da nova legislação.
Este projeto foi coordenado por Rita Simas Bonança, Tiago Medeiros e Tânia Botelho e contou com a coautoria de diferentes especialistas, em parceria com o CDIJA. A revisão científica coube a Helena Serra e Maria de Fátima Almeida, do departamento técnico-científico da DISLEX.
A sessão de lançamento será no dia 6 de março, pelas 15.30, no Auditório da Associação de Futebol de São Miguel.
(através das várias plataformas disponíveis)
Com recurso a súmulas/ resumos, treino de perguntas-tipo para compreensão das tarefas solicitadas;
Com base em mapas conceptuais, esquemas, etc. para melhor articulação dos conteúdos.
Dislexia - Um pedido ao Governo
Ex. mo Sr. Ministro da Educação Excelência
A DISLEX-Associação Portuguesa de Dislexia, desde o início do período de ensino à distância, tem recebido manifestações de grande preocupação, por parte de pais com filhos disléxicos.
. Para apoiar as escolas e as famílias, passámos a colocar no site – www.dislex.co.pt – alguma informação relativa à forma de ser dada continuidade aos apoios específicos, por parte da respetiva Escola (texto anexado).
. Para além disso, há pais com filhos disléxicos ainda no ensino básico, mas com 13 e mais anos, que alertam para o facto de não poderem ficar em casa para o necessário e indispensável acompanhamento do estudo desse filho. Referindo-nos muito genericamente e de forma
abreviada às suas caraterísticas: “em geral a leitura de um disléxico é realizada de uma forma lenta, com hesitações, confusões, inversão de letras, não respeitando a pontuação e sendo a compreensão fortemente prejudicada, perdendo o aluno boa parte da informação dos textos lidos. A escrita é realizada com erros ortográficos, de estrutura sintática, de articulação de ideias e de pontuação. Este espectro de fragilidades ao nível da leitura e escrita conduzem a dificuldades nas aprendizagens em geral, já que o ler e escrever são competências transversais em relação a qualquer disciplina” (DISLEX, 2018).
. Face ao que expomos solicitamos a V.Ex.ª se digne providenciar para que seja concedido que, no caso de alunos disléxicos, seus pais, à semelhança do que está previsto para os pais de menores de 12 anos, possam ser dispensados do trabalho, independentemente da idade dos menores, a fim de darem acompanhamento ao ensino à distância e estudo dos filhos, em casa, sob pena de total insucesso na aprendizagem.
Porto, 17.04.20
Pela DISLEX,

(DISLEX-Departamento Técnico-científico)